domingo, 15 de abril de 2012

MADRID: MODO DE USAR


Madrid não é grande novidade para ninguém mas, mesmo assim, aqui vimos deixar as nossas impressões sobre a visita a esta cidade.
Saídos de Azeitão no dia 9 de Abril de manhãzinha, depois de 614 quilómetros sem histórias mas com uma paragem para almoço num qualquer parque de estacionamento, estávamos no Camping Arco Iris nos arredores de Madrid.
Primeira nota informativa: para permanecer em Madrid não existem, que eu saiba, parques de estacionamento seguros ou AS para autocaravanas. Existem três Parques de Campismo: o Osuna, dentro da cidade, o Alpha (nos arredores imediatos) e o Arco Iris em Villaviciosa de Odon. Consultando a Internet obtivémos comentários tão desfavoráveis aos dois primeiros que optámos pelo terceiro embora sendo aquele que se encontrava mais longe do centro.
Aqui deixamos o apelo para que algum companheiro que já tenha utilizado o Osuna ou o Alpha nos deixe as suas impressões.
O Parque de Campismo Arco Iris custou-nos 16 €/ dia (com cartão ACSI); os locais de parqueamento são correctos, água e despejos nas proximidades, energia eléctrica (6 Amp), os sanitários são modernos e bem cuidados. Internet Wi-Fi a 15 € por uma semana. Transportes públicos com partida e chegada à porta do camping a +/- 45 minutos do centro da cidade. A AS para AC é primária e de dificil utilização pelo que mais vale utilizar os despejos junto dos parqueamentos a balde ou com depósito. Para as quimicas o despejo é correcto e junto dos sanitários.
Primeiros investimentos para uma correcta utilização do que Madrid tem para oferecer aos turistas que nós somos: aquisição de um cartão de transportes (metro, tram e autocarros) com validade para 7 dias a 50 €/pax e mais um cartão de acesso a museus e outros locais turisticos (Madrid Card) com validade de 5 dias por 69 €/pax (parece caro mas comparando com o preço das entradas individuais nos diversos museus e atracções, vale largamente a pena).
Como qualquer grande cidade Madrid tem uma enorme oferta turistica e cultural, logo, há que fazer escolhas. Depois de uma primeira visita ao Turismo na Plaza Mayor, que já por si só é notável,
decidimo-nos pela visita ao Palácio Real não sem antes ir prestar homenagem a D. Quixote e ao seu companheiro Sancho na Plaza de España.
Ainda Madrid não era capital de Espanha, o emir Mohamed I mandou construir em Magerit um alcácer para defender Toledo do avanço dos cristãos. Essa construção foi pontualmente utilizada pelos soberanos de Castela até que no século XIV se transformou no que ficará conhecido pelo Alcácer Velho. Carlos I e o seu filho Filipe II converteram a fortaleza em residência permanente dos monarcas. No ano de 1734 um incêndio arrasou o edifício e sobre os restos Filipe V mandou construir o palácio actual.
O edificio inspira-se nos esboços realizados por Bernini para a construção do Louvre. De destacar a Escadaria Principal, o Salão do Trono (com um tecto pintado por Tiepolo), o Salão dos Alabardeiros, a Capela Real (anexa à qual se encontra uma colecção de instrumentos elaborados pelo mítico Stradivarius, que ainda hoje são utilizados por grandes concertistas), a Real Armeria onde se admira uma soberba colecção de armaduras e armas antigas, a Real Farmácia e a imprescindível galeria de pintura.
Continuámos visitando a Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena
 Edifício de traça moderna, inaugurada em 1911 e profundamente remodelada em 1944 foi consagrada em 1993 por João Paulo II.
 Nos seus luminosos interiores atraem a vista os tectos policromos. 
Alberga a venerada imagem da Virgem de Almudena cuja tradição remonta a 1085.
O segundo dia de visita não poderia ter um melhor começo: a Fundação Caja Madrid propunha uma exposição temporária dedicada a Chagall. Por lá passámos duas boas horas re-visitando a obra deste singular artista.
Como é óbvio não houve captação de imagem pois neste museu como aliás na maioria dos museus de Espanha não são bem-vindas as máquinas fotográficas.
Tendo reservado lugar numa visita pedonal guiada intitulada Madrid Imprescindible lá partimos da Plaza Mayor, passando nas imediações do Palácio Real, cruzando o viaduto para descobrir as origens de Madrid. Percorremos os vestigios da época medieval através da Plaza de la Paja, Plaza de San Andrés, Costanilla de San Pedro e Calle del Cordón para terminar o percurso na Plaza de la Villa.


Aprendemos o porquê da inexistência de monumentos românicos em Madrid, o estilo mouro das igrejas existentes e também o da sua escassez. Não vos vamos contar. Venham descobrir.
Quase no fim do dia fomos brindados com o render da guarda do Palácio Real.

Começámos o terceiro dia a admirar o Jardim na Parede no Centro Cultural e de Exposições CaixaForum.
Daí mergulhámos no Museu do Prado
donde só saímos ao fim do dia e por exaustão física. É indescritível, só vendo.
A não perder, absolutamente, as obras destes dois Senhores:

O fim do dia ainda permitiu admirar um pouco do Paseo del Prado e da Fonte de Neptuno.
Para aligeirar um pouco os neurónios começámos o quarto dia visitando o Museu de Cera onde encontrámos algumas figuras:


também certos figurões:

e encontrámos alguns "amigos":

Descendo o Paseo del Arte, admirámos o Palácio de Cibeles e a magnifica fonte com o mesmo nome
e a imponente fachada do Banco de Espanha.
Entrámos em seguida no Museu Thyssen-Bornemisza, instituição particular, onde se expõe uma das melhores colecções privadas de pintura do mundo. Por aí permanecemos até o físico aguentar. Conseguimos apreciar cerca de metade do que há para ver.
Quinto e último dia dedicado a visitas culturais ou turísticas (o físico já mal aguenta e a cabeça já está a transbordar de tanta arte).
O nosso amor pela Festa Brava levou-nos a visitar a Plaza Monumental de las Ventas del Espiritu Santo. Bela visita guiada por alguém conhecedor da "arte". É preciso gostar mas, para quem goste, é a não perder. Os que não gostem estão no seu direito mas não chateiem.



Por último lá nos "arrastámos" até ao Museu Nacional de Arte Reina Sofía.   PicassoDaliMiró e outros Solana Blanchard em profusão. Decididamente não aconselho a ninguém a visita de museus a este ritmo. Para o fim a psique já não aguenta mais e nada parece agradar. Terminámos juntando-nos ao grupo numeroso que admirava a Guernica.



 Assim se terminou a visita turístico-cultural a Madrid. Se esta publicação não servir para outra coisa, servirá pelo menos para mais tarde recordarmos.
A viagem continua!
Post scriptum (não escrevo PS para não pensarem que é outra coisa): Como talvez tenham reparado não escrevo segundo as regras do Aborto Ortográfico. A minha mãezinha com a Cartilha Maternal de João de Deus e a Dona Lucinda da Escola Primária A Voz do Operário não andaram a perder o seu tempo para eu agora começar a escrever o brasileiro de Portugal (antigamente só existia o português do Brasil, de que eu por acaso até gosto e a que chamo Português com açúcar), Mas cada macaco no seu galho!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mudança

Acabei de mudar o sub-titulo do meu Blog.
Onde se lia Autocaravanismo pode agora ler-se:
Viagens em Autocaravana
Entenda quem quiser

terça-feira, 27 de março de 2012

DOIS OU TRÊS FACTOS


Continuo a prometer a mim mesmo que não entro em mais polémicas ligadas ao autocaravanismo mas acontecem sempre alguns factos que me fazem “ferver” o sangue e me levam a quebrar os meus votos.
Primeiro facto: A acta nº 5 da AG da FPAO Presidente da Direcção da FPA explanou detalhadamente as actividades desenvolvidas durante o ano de 2012. 
Uma mão cheia de vento, um saco pleno de coisa nenhuma, um acervo de factos inverificáveis. Os dois Clubes presentes aceitaram! Sendo um assunto um pouco subjectivo, fico-me por aqui nos comentários. Tentarei, em sede própria, que o Clube de que ainda sou sócio e que ainda pertence à FPA me dê mais explicações.
Segundo facto: A carta que o Presidente da FPA enviou à Presidente do CAI na sequência da demissão deste clube daquela Federação.
Nela se confirma a arrogância daquela entidade nas suas relações com o CAI. Parece não considerar significativa a vontade expressa pelos sócios do CAI reunidos em AG. Tentou dar a volta aos factos, fazendo parecer que o CAI teria sido “expulso” da Federação em vez de, como realmente aconteceu, se ter afastado pelo facto de os seus sócios terem considerado inapropriado o rumo (ou falta dele) seguido por esta Direcção da Federação. O Senhor Presidente da Direcção da Federação atribui-se uma importância que, efectivamente, não tem!
Terceiro facto (o que realmente me fez escrever mais este artigo): O resultado da AG do CPA em São Pedro do Sul.
Textualmente do Fórum do CPA: A Assembleia Geral do CPA, que teve lugar em S. Pedro do Sul no passado dia 24 de Março do 2012, aprovou por unanimidade o Relatório e Contas de 2012 e saudou com uma calorosa salva de palmas a presença da Delegação do Clube Autocaravanista Itinerante, designadamente a Presidente da Direcção, Ana Pressler.
Vejam, um pouco mais abaixo, o que escrevi em artigo anterior: Até parece que a finalidade da criação desta Federação foi a de destruir a união que existia entre os Clubes que a constituíram. Se era esse o fim foi amplamente conseguido!
Vejam o contentamento que por aí vai pelo facto de o CAI ter abandonado a Federação. Vejam o que conseguiu, o Senhor Presidente da Direcção da FPA, que pela sua arrogância e pelo modo como lidou com o Clube o empurrou para a única solução possível. O único resultado que pode apresentar destes meses de mandato é este que está à vista: o contentamento daqueles que nunca quiseram este projecto.
Nós, no CAI, não temos razões para estar alegres por ter saído da Federação que foi um sonho comum a muitos autocaravanistas. Infelizmente nasceu torta e não se vê maneira de endireitar. Só nos resta esperar por dias melhores.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O ASSOCIATIVISMO NO AUTOCARAVANISMO (2)


Embora correndo o risco de vir a ser atacado em várias frentes vou reincidir no acto de tornar públicas as minhas reflexões, preocupações e anseios em relação com o momento actual do associativismo no autocaravanismo neste nosso pequeno meio.
O maior e creio que mais antigo Clube de Autocaravanismo existente em Portugal é o CPA. Sendo muito “fresco” na actividade logo nele me inscrevi pois me parecia, na altura, o local certo para estar. Levei pouco tempo a concluir que o “clima” não era ali o mais compatível com os meus anseios e assisti confrangido a uma AG em que a Direcção cessante, atacada por todos os lados, se recusava a continuar, onde se correu o risco da não continuidade do Clube e em que um sócio acabado de se filiar (provavelmente para o efeito) se apresentou como salvador e tomou as rédeas da Direcção.  A partir desse momento, embora continuando a pagar escrupulosamente as minhas quotas, auto exclui-me de todas as actividades, na expectativa que venham dias melhores, porque continuo a considerar que o o CPA é indispensável ao autocaravanismo nacional.
Dado que o CPA insiste em se manter associado a uma Federação que nada tem a ver com autocaravanismo, não se vislumbrando a razão da teimosia na persistência dessa filiação, alguns pequenos clubes, insatisfeitos com a situação, tomaram o risco de criar uma estrutura  para defender os seus verdadeiros interesses. Assim, no dia 16 de Julho de 2011, o CAI, o CAS e o CGA reuniram-se em AG para eleger os Corpos Sociais da recém criada FPA – Federação Portuguesa de Autocaravanismo.
Foi com alegria que muitos companheiros (entre os quais me incluo) viram “nascer o bebé”. O sonho, todavia, não durou um ano!
Ao dia de hoje quase metade dos corpos gerentes da Federação demitiram-se e um dos Clubes saiu. Mas, o que é pior, clubes que antes eram amigos, em que sócios e corpos gerentes se juntavam em eventos ou em simples passeios, enfrentam-se agora com um antagonismo exacerbado. Até parece que a finalidade da criação desta Federação foi a de destruir a união que existia entre os Clubes que a constituíram. Se era esse o fim foi amplamente conseguido!
Pessoalmente, sou bastante afectado pela situação a que a criação desta Federação conduziu os Clubes. Sendo sócio de dois deles, sempre os considerei “clubes de amigos”, como alguém os intitulou há tempos de modo depreciativo. Tenho (ou tinha?) bons amigos nos dois clubes e com eles me sentia muito bem. Constato, no entanto, que as Direcções dos Clubes os pessoalizaram de uma maneira que faz com que qualquer opinião de um sócio, que não siga o pensamento da Direcção ou conteste alguma das suas decisões, é imediatamente tomada como uma “agressão” e esse sócio considerado “persona non grata”. Já me aconteceu e não estou livre de que me torne a acontecer.
Mas, como sou persistente nas minhas opiniões, vou continuar a ser igual a mim mesmo e, se um dia considerar que estou a mais em Clubes, deixarei de lado o associativismo para continuar a ser, só, autocaravanista.

terça-feira, 13 de março de 2012

O ASSOCIATIVISMO NO AUTOCARAVANISMO


Começo por publicar alguns factos:
Facto 1-Mensagem do CAS à Autarquia de Castelo de Vide
Exmo. Sr. Vice Presidente da C.M de Castelo de Vide
Rececionámos  o convite endereçado por V.ª Ex.ª para a cerimónia de inauguração da Área de Serviço para autocaravanas  na Barragem de Póvoa e Meadas que muito agradecemos, no entanto , por demasiados afazeres relacionados com o os compromissos do nosso Clube, não poderemos estar presentes, ficando a nossa representação a cargo da Direcção da Federação Portuguesa de autocaravanismo.
 Com os melhores cumprimentos
                       José Manuel Fernandes de Matos
                         Presidente da Direcção
Facto 2-Mensagem da FPA à Autarquia de Castelo de Vide
Exmo. Sr. António Manuel das Neves Nobre Pita
Digníssimo Vice-presidente da C.M de Castelo de Vide
Recebemos o convite endereçado por VExa. para a cerimónia de inauguração da Área de Serviço para autocaravanas na Barragem de Póvoa e Meadas que muito agradecemos. Queremos mais uma vez felicitar a Câmara Municipal de Castelo de Vide pela construção desta infraestrutura tão útil para o autocaravanismo que merece o nosso apreço e agradecimento. Informamos VExa que em consequência da distribuição de tarefas entre os membros da nossa Direcção a nossa representação ficará a cargo do Vice-presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Autocaravanismo Sr. Dr. Jorge Manuel Guerra.
Com os nossos melhores cumprimentos,
José Ricardo da Silva Pires
Presidente da FPA
Facto 3-Mensagem enviada pela Direcção do CAI aos sócios, na sequência da AG de 11 de Março
Aprovado por unanimidade. o relatório de contas e actividades. Foi feito um pequeno esclarecimento sobre o feedback das cartas enviadas ás varias entidades.
Questionada a presidencia pelo socio Vitor Silva sobre a quantidade de autocaravanas socias a resposta foi:  54 (hoje já são 56)
A pedido do sócio João Sá e do Vitor Silva a elevação do socio João Sá a sócio benemérito foi alterada para um voto de agradecimento ao socio pelos trabalhos efectuados e a efectuar em prol do clube. Aprovado por unanimidade.
As inscrições nos eventos organizados pelo clube passarão a ter valores diferenciados para sócios e não socios. Aos não socios acresce um valor de 10%. Este valor será devolvido ao inscrito, se durante o evento ele se tornar socio do clube.
Considerando que os clubes que compoem em conjunto a FPA com o CAI não terem cumprido com o estipulado na ultima AG de Novembro dessa instituição e considerando que o Presidente da FPA tem boicotado sistematicamente todas as actividades do CAI, foi efectuada a seguinte votação:
Abandonar a FPA por incumprimentos dos objectivos para os quais foi criada!
O sócio João Sá pediu um voto de agradecimento à Ana Pressler, Fernanda Faria e Rui Santo pelo excelente desempenho na tentativa de fazer a FPA trabalhar. Aprovado por unanimidade.
Saudações autocaravanistas
Continuo tecendo alguns comentários da minha lavra(e juro que não fui mandatado por ninguém para o efeito!):
Aos factos 1 e 2: 
Quanto ao CAS: Porra que aquilo é que são "afazeres"!
Nem dá para aceitar um convite para a inauguração de uma AS feito por um Clube irmão e por uma Autarquia. Espero que o CAI retribua no futuro (se chegar a ser convidado).
Quanto à FPA: Ainda bem que não têm "pessoal menor" senão faziam-se representar por alguma "técnica de manutenção de superfícies". 
Também, não fazem lá falta!
Ao facto 3:
O momento é grave e, assim, justifica-se plenamente que as Direcções dos Clubes consultem os associados, em AG, sobre o rumo a seguir. Assim fez o CAI e assim gostaria eu que fizesse o CAS. Este, no entanto, decidiu não o fazer seja por causa dos muitos "afazeres" de que padece, seja porque não considera o momento suficientemente grave para ter que consultar os sócios. Estes lá terão que esperar até Novembro para terem uma AG. Por mim fico à espera!
Na Assembleia magna do CAI foram prestados esclarecimentos, tratados assuntos de interesse geral e tomada a única decisão possível em relação à permanência na FPA tal como ela se apresenta actualmente.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

AUTOCARAVANISMO: UMA FORMA DE TURISMO



Integrado no programa de actividades do 2º Aniversário do CAI – Clube Autocaravanista Itinerante decorreu, no Auditório António Chainho em Santiago do Cacém, o colóquio subordinado ao tema em titulo neste artigo.
Pela qualidade dos oradores, pela maneira como foi abordada a actividade autocaravanista e pela atitude em relação a ela demonstrada por alguns dos oradores presentes, os quais detêm responsabilidades nos sectores da Administração local, do Turismo, do Planeamento e da fiscalização, julgo estarmos todos de parabéns.
Vale a pena referir que este colóquio foi aberto à população em geral, tendo sido mesmo dirigidos convites aos comerciantes locais para nele estarem presentes.
Por ordem de “entrada em cena” tivemos o privilégio de ouvir:
O Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, nosso anfitrião, faz-nos desejar que todos (ou pelo menos a maioria) dos autarcas deste País escolhessem as suas opções e pontos de vista em relação à nossa actividade preferida. Em vez de repressão, criação das condições necessárias para a recepção dos autocaravanistas, os quais são reconhecidos como catalisadores do comércio local e utilizadores privilegiados dos espaços culturais e lúdicos da região. Para o demonstrar, para além da maneira fidalga como nos recebeu no seu concelho, fica a inauguração de uma Área de Serviço para AC, com promessa de implementação para um futuro possível de, pelo menos uma outra estrutura, lá mais para os lados do mar oceano.
A sócia do CAI,  Maria Isabel Wissmann Mesquita, deu-nos uma breve introdução ao comércio de autocaravanas (e caravanas) em Portugal. No âmbito do encontro que serviu de quadro a estas actividades a sua empresa fez deslocar para Santiago do Cacém duas autocaravanas que fizeram uma sessão “portas abertas” para a população local. O interior de uma AC, que para muitos de nós é uma segunda casa, não é evidente para a grande maioria das pessoas. Uma AC esteve à disposição do público em geral para visita junto ao mercado de Santiago do Cacém na manhã de sábado dia 25. A adesão do público foi grande e, para muitos, houve como que uma espécie de desmistificação em relação às condições de vida no interior daqueles veículos que eles vêm passar mas que não tinham a mínima ideia de como viver no interior.
 O colóquio, superiormente moderado pelo sócio do CAI e grande dinamizador deste encontro, Fernando Malão, continuou com:
Intervenção da Guarda Nacional Republicana a qual, tendo sido convidada a fazer-se representar no colóquio, o fez com agrado na pessoa do Sargento José Fortunato responsável por uma estrutura de controle ambiental no território. Foi sublinhada a atitude da autoridade em relação ao autocaravanismo que todos desejamos mais “pedagógica” e menos repressiva.  Como no colóquio se dava espaço para perguntas dos presentes, foi o representante da autoridade questionado no sentido de se considerava a actual legislação regendo a actividade autocaravanista adequada e suficiente para as necessidades. A dúvida ficou a pairar no ar mas não foi cabalmente respondida.
Seguiu-se uma intervenção da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo na pessoa do Dr. António Lacerda. Esta foi uma intervenção brilhante, tanto pela qualidade do orador e pelo amor que demonstra pelo “seu” Alentejo, como pelas posições que tomou em relação à actividade autocaravanista e pelo conhecimento que dela patenteou. Para os praticantes desta modalidade de turismo é reconfortante sentir-se acarinhado, bem-vindo, reconhecido não como parte do problema, mas antes, como parte da solução da actividade turística em Portugal e mais especificamente no Alentejo. Foi reconhecido que a legislação disponível para o sector é desadequada e insuficiente; foi também reconhecido que os interesses dos autocaravanistas e dos proprietários dos Parques de Campismo não são coincidentes. Uns e outros têm razão e é preciso trabalhar no sentido de acertar os anseios e necessidades das duas partes.
Os trabalhos encerraram com uma longa e interessante intervenção do representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-A), Dr. Alexandre Domingues. Mais uma vez nos sentimos reconfortados enquanto praticantes desta modalidade de turismo itinerante; somos considerados úteis, desejáveis, contribuidores para a economia dos locais que frequentamos, ecologicamente responsáveis, utilizadores privilegiados e esclarecidos dos equipamentos públicos e da Natureza. A CCDR-A tem sensibilizado as autarquias do Algarve para o autocaravanismo e os resultados estão a fazer-se sentir; as AS para AC e os Parques para AC públicos e privados estão a surgir a um ritmo acelerado. Abriram mais nos últimos quatro meses do que na totalidade dos vinte anos precedentes. O Dr. Alexandre Domingues não encara como necessidade imediata mais legislação para o sector (com o que discordo), mas antes que as autarquias criem primeiro as condições para receber convenientemente os autocaravanistas e só depois, por intermédio de pequenas posturas municipais muito simples, regulamentem a actividade. Considera ainda que a utilização dessas estruturas, mesmo as públicas, deve ser paga com moderação (com o que estou de acordo), segundo o principio do utilizador pagador. Com efeito, a construção e manutenção dessas estruturas implica despesas para as autarquias, não devendo os munícipes respectivos serem obrigados, com os seus impostos, a financiar a nossa actividade. Foi ainda reconhecida a desadequação entre a oferta dos Parques de Campismo e os anseios e necessidades da maioria dos autocaravanistas.
O “malvado” relógio não permitiu que o assunto fosse esgotado e teve que ser encerrada a sessão.
Está de parabéns o AUTOCARAVANISMO pelo que se passou neste colóquio e está de parabéns a Direcção do CAI.
Uma última palavra.
Constatámos com amargura a inexplicável ausência da Federação Portuguesa de Autocaravanismo. Sabemos que a sua Direcção foi convidada para se fazer representar mas não o considerou útil nem necessário. Como simples sócio de clubes não tenho o direito de interpelar directamente a Federação mas acho que tenho o direito e o dever de interpelar os Clubes de que sou sócio, o CAI e o CAS, sobre o assunto: companheiros o autocaravanismo enquanto turismo itinerante precisa da Federação Portuguesa de Autocaravanismo.
Façam-na trabalhar para os fins para que foi criada, por favor!

domingo, 15 de janeiro de 2012

ELEIÇÕES


O "maior clube português de autocaravanas" realizou a sua AG eleitoral e acaba de publicar os resultados.
Quote
RESULTADOS ELEITORAIS

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Eleitoral do Clube Português de Autocaravanas deu por encerrado o acto eleitoral para os Corpos Gerentes às 16 horas do dia 14 de Janeiro de 2012, que se havia iniciado às 14 horas do mesmo dia.

Os resultados anunciados foram os seguintes:

Votantes: 78

Votos SIM: 76

Votos Não: 1

Votos BRANCOS: 1
Unquote

É triste!
A democracia é assim feita e:

Foram declarados eleitos os candidatos da Lista A que tomarão posse no próximo dia 28 de Janeiro de 2012.

Em termos simplesmente aritméticos podemos tecer algumas considerações: se tivermos em conta que os órgãos directivos somam 11 elementos, os Delegados Concelhios são 10 e os os coordenadores regionais 17, temos um total de 38 pessoas (salvo alguma sobreposição que não controlei). Se todos estes ”órgãos” estiveram presentes e votaram, podemos depreender que 40 sócios não ligados de um modo ou de outro à actual direcção se dignaram exprimir a sua preferência.
É pouco, é muito pouco!
A grande maioria dos sócios do Clube Português de Autocaravanas "votaram com os pés"! Isto é, não se deram ao trabalho de comparecer na AG, o que foi o meu caso!
Porque será?
Outra pista: visito com regularidade o Forum do CPA. Utilizo a “ferramenta” posta à nossa disposição “Mostrar tópicos não lidos desde a última visita”. Se excluirmos a Direcção, o infoCPA e o sócio Papa Léguas é o “deserto”.
Porque será?
Como já tenho esclarecido algumas vezes sou um autocaravanista de fresca data. Quando aderi ao “movimento” considerei que se justificava a filiação em algo que eu não conhecia e que se denominava Clube Português de Autocaravanas. Esta associação era um pouco o reflexo da sociedade portuguesa com as suas qualidades e defeitos, as diferenças e semelhanças entre as pessoas que a constituiam, mas na generalidade um conjunto simpático.
Até que.
Em Portugal as pessoas gostam de ser defendidas pelas associações mas, com frequência, não estão dispostas a ter trabalho e a sacrificar-se pelo bem comum. Numa certa AG eleitoral correu-se o risco de o CPA caminhar para a sua dissolução porque não existiam sócios dispostos a tomar o encargo de dirigir o clube. Aí, alguém acabado de entrar para sócio, candidatou-se à Direcção e, como é óbvio, ganhou “por falta de comparência dos adversários”. O Clube ainda lhe pode “agradecer” senão correria para a dissolução pura e simples!
Desde essa data afastei-me de todas as actividades do clube apesar de continuar como sócio e de pagar pontualmente as minhas quotas, o que muitos não fazem.
Tenho observado o que se passa e temo que num futuro próximo, isto é, na próxima AG eleitoral os sócios presentes sejam mais ou menos 38 (se entretanto a actual direcção não “inventar” mais uns coordenadores ou delegados concelhios).
Pergunto a alguns sócios do CPA:
NÃO QUEREM RESOLVER ISTO DAQUI A DOIS ANOS?