domingo, 12 de setembro de 2010

CHARTRES


A capital da provincia da Beauce, “celeiro da França”, possui um tesouro: a sua Catedral, célebre pelas peregrinações que suscita assim como pelos seus vitrais.

A uma hora ao Sudoeste de Paris, servindo de porta de entrada para os Palácios do Loire, Chartres não se resuma à Catedral, sendo também notáveis as suas igrejas como Saint Aignan e Saint Pierre e os seus bairros históricos com as suas ruas e ruelas pitorescas nas margens do Eure.
A Igreja de Saint-Aignan
De todas as paróquias de Chartres, a de Saint-Aignan é a mais antiga, remontando as suas origens ao ano 400. Como muitos destes edificios, a igreja actual é constituída por elementos pertencentes a diferentes épocas. No seguimento de um incêndio que destruiui o bairro no inicio do século XVI, foi necessário reconstruí-la quase inteiramente.
A Revolução fez de Saint-Aignan um hospital militar, tornou-se prisão e posteriormente celeiro. Foi devolvida ao culto em 1822.
A Igreja possui ainda uma interessante colecção de vitrais do inicio do século XVI.
A Igreja de Saint-Pierre
Tratava-se, antes da Revolução, do santuário da abadia de Saint-Père(Père=Pierre), conhecida pelo menos desde o século VII. Dessa época subsistem importantes vestigios.
Existe uma torre, com caracteristicas carolingeas, construída sem dúvida pouco antes do ano mil. A história da construção da igreja é complexa, existindo vestigios dos séculos XI, XIII, XIV e por aí além com especial ênfase para os dramas ocorridos pela altura da Revolução.
Os vitrais superiores são muito antigos; os que guarnecem as janelas dos dois lados do coro datam de 1260.
Os da nave são mais tardios e datarão de 1300 e 1315.
A Catedral
De todas as grandes Catedrais, verdadeiras Bíblias de pedra, a arquitectura, os vitrais e o santuário de Nossa Senhora de Chartres são uma verdadeira obra de arte.
Julga-se que a primeira catedral galo romana seja do século IV, embora não existam vestigios arqueológicos. No côro restam vestigios de uma catedral merovingia do século VI. Em 1020, depois de várias vicissitudes, o bispo Fulbert inaugurou o inicio das obras da catedral românica, uma das mais prestigiosas da Europa. No dia 10 de Junho de 1194 a catedral românica ardeu. Uma nova catedral nascerá das suas cinzas, levando 30 anos a sua construção. De estilo gótico, a catedral possui hoje em dia 176 vitrais (séculos XII e XIII) e nove portas esculpidas que datam da Idade Média. Esta Catedral foi consagrada em 1260.
O côro e o Transepto são mais imponentes que a nave.
Os vitrais dos séculos XII e XIII constituem a mais importante colecão de França. Um dos mais belos e mais antigos é Notre-Dame-de-la-Belle-Verrière.
O fecho do côro é notável pela sua estatuária Renascença.

Do ponto de vista autocaravanista não me parece que Chartres ofereça grandes possibilidades de estacionamento fora de Camping. Por outro lado, o Camping municipal, a 11 €/dia (com cartão ACSI) fica estratégicamente situado, é muito agradável, com Internet gratuita. Passeio a pé até ao centro de três quilómetros. De referir que a estação de serviço para AC fica no exterior do camping sendo a sua utilização gratuita, independentemente da estadia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SARLAT-LA-CANÉDA


Depois da nossa entrada em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles começámos a subida para o Norte que nos levará a Maisons Laffitte nos arredores de Paris.

Tinhamos como etapa prevista uma paragem em St-Jean-Pied-de-Port; local efectivamente bonito mas intensamente turistico onde não nos foi possível parar sequer, quanto mais estacionar. Existe é certo uma área de serviço para AC mas estava completa e todos os outros parkings estavam barrados a 2 metros. Paragem técnica num supermercado local para compra de alguns frescos e continuação de viagem. Instruido o TomTo par evitar autoestradas e escolher o caminho mais curto fomos levados por pequenas departamentais até Montesquiou onde “aportámos” de acordo com um post anterior.
Saídos daí a 3 de Setembro, tomámos a N 21 que atravessando o belo Périgord nos levou a Sarlat-la-Canéda.
Cidade de excepção muito recomendada por todos os guias turisticos.. A sua fundação é atribuída a Pépin Le Bref, pai de Carlos Magno, que aqui teria mandado construir um mosteiro que se veio a tornar numa das mais importantes abadias beneditinas da região. Na Idade Média, foram surgindo em redor da Catedral inúmeros estabelecimentos e oficinas de comerciantes e artesãos que contribuem ainda hoje para o encanto das suas ruelas.

As velhas ruas medievais de Sarlat são extremamente fotogénicas tendo servido como pano de fundo para vários filmes.
A Catedral Saint-Sacerdos está implantada sobre vestigios de uma construção do tempo de Carlos Magno; a sua parte mais antiga é uma torre sineira romãnica do século XII. Vestigios da antiga Catedral de Saint-Sauveur do século XIV ainda se encontram presentes, excelentemente completados pela grande nave de Saint Sacerdos do século XVII.

O mercado coberto, implantado numa igreja desafectada, a Praça do Mercado dos Gansos são outros dos locais emblemáticos da cidade.
Do ponto de vista autocaravanista esta pode ser considerada uma cidade “amiga”. Não longe do centro histórico existe uma AS com todos os serviços necessários (2 €). Caso se encontre completa, o que nos aconteceu, existe logo a seguir um grande parque de estacionamento, gratuito mas sem serviços.

domingo, 5 de setembro de 2010

RONCESVALLES

Carles li reis, nostre emper[er]e magnes
Set anz tuz pleins ad estet en Espaigne:
Tresqu'en la mer cunquist la tere altaigne.
N'i ad castel ki devant lui remaigne



Transcrevemos acima a primeira estrofe da célebre "Chanson de Roland"


Escolhemos entrar em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles. Estradas “laboriosas” mas muito belas.
Paragem “obrigatória” na vila de Roncesvalles ponto de inicio do “caminho espanhol” para Santiago de Compostela. Aqui se dá apoio aos peregrinos que chegam do “caminho francês” e aos que aqui vêm iniciar a peregrinação de 790 km em direcção a Santiago.
Notáveis a velha Igreja de São Tiago, e a Capela do Espirito Santo ou Silo de Carlos Magno. Este é o edificio mais antigo de Roncesvalles tendo sido mandado construir por D. Sancho de la Rosa, Bispo de Pamplona, na primeira metade do século XII. Tem uma cripta onde eram sepultados os peregrinos que faleciam no hospital.

A lenda diz que se situa no mesmo lugar em que Carlos Magno mandou construir o tumulo de Roldan e recolher os restos dos soldados mortos na batalha (de Roncesvalles).


TORDESILHAS E O TRATADO

Na continuação da nossa viagem marcámos uma paragem para visitar Tordesilhas. Aqui, no dia sete de Junho do ano de 1494, foi assinado um acordo entre os reinos de Castela e Portugal que definia os limites que corresponderiam a cada Coroa das terras já descobertas ou ainda por descobrir. 

O acordo, que seria conhecido como Tratado de Tordesilhas, dividia o Oceano Atlântico por meio de um “risco” traçado de polo a polo, a 370 léguas a Oeste das ilhas de Cabo Verde, ficando o hemisfério ocidental para Castela e o oriental para Portugal.
No século XVI esta localidade contou com a presença, durante 46 anos, de Joana I de Castela que ficou conhecida para a história como Joana a Louca.
Tivémos oportunidade de visitar o Museu do Tratado que fica situado nas Casas do Tratado onde se mostram objectos relacionados com o processo das negociações.
Visitámos ainda o Real Mosteiro de Santa Clara (fotos não autorizadas) que é considerado um dos melhores exemplares mudéjares de Castela e Leão.
Na passagem detivémo-nos ainda na Plaza Mayor. De dimensões reduzidas, a sua estrutura responde às mais puras essências das praças maiores castelhanas.
Aqui almoçámos, tendo para o efeito estacionado a AC num jardim público, perto do centro histórico, onde nos parece que não haveria qualquer problema para pernoitar.

AINDA MONDIM. UMA CONTROVÉRSIA

Decidimos publicar na íntegra uma mensagem que recebemos da companheira Teresa Paiva. Fazê-mo-lo porque presamos muito esta companheira e porque as informações que recebemos em Mondim não coincidem com as que agora nos adianta. Fazê-mo-lo ainda para pedir desculpa por qualquer inexactidão que tenhamos cometido.
Eis a mensagem recebida:
Citação
Boa noite companheiro Victor
Dentro da boa colaboração que temos tido, tomo a liberdade de comentar a a afirmação que fez no seu blog: 
"E, já agora, porque não representarmos o CPA de que somos sócios, já que a Direcção do Clube não quis fazer-se representar, apesar de convidada?! Felizmente estavam presentes inúmeros sócios do CPA, que não foram “desviados” pelo encontro marcado para este mesmo fim de semana em Sangalhos."
 A Direcção do Clube não foi convidada. A Direcção do Clube teve nesse fim de semana uma reunião de trabalho entre corpos gerentes, marcada para Sangalhos para que ´que a despesa(pessoal) de deslocação não recaísse apenas nos elementos do Norte e não marcou qualquer tipo de encontro. E disso foi dado conhecimento no fórum.
Aceito com facilidade todo o tipo de criticas, não aceito de forma alguma inverdades.
Entenda este reparo apenas como sócia do CPA que não gosto de ver  atacado seja qual fôr a Direcção.
Terminando para dizer que no final é sempre a imagem do CPA que está em causa. Porque os homens passam mas as instituições ficam.
Fim de citação

sábado, 4 de setembro de 2010

SALAMANCA, AQUI TÃO PERTO


Fica realmente bem “à mão” esta bela cidade espanhola. Nestes últimos dias de Agosto foram frequentes os “encontros” com falantes lusos que por ali deambulavam.

Não explorámos as possibilidades de estacionar na cidade com a AC. Alojámo-nos no Camping D. Quijote que fica a 4 km do centro; existe um caminho pedonal ou para bicicletas ao longo do Rio Tormes que leva á cidade. Por nosso lado utilizámos um autocarro que, em cerca de 20 minutos, nos deixa em plena Gran Vía.
A partir daí, manda a lógica que se inicie a visita pela Plaza Mayor. É uma das maiores e mais belas de Espanha. Unamo chamou-lhe “corazón henchido de sol y aire”. Centro nevrálgico da cidade, coração a que afluem todas as artérias, nela lateja a vida salamantina.
A seguir, é um desfilar de monumentos que rivalizam entre si em beleza e em significado histórico e cultural:
A Universidade, um dos edificios mais importantes de Salamanca e uma das jóias da arte renascentista espanhola. Inaugurada em 1218 por Afonso IX de Leão e consolidada mais tarde por Afonso X o Sábio para competir com as universidades de Oxford, Bolonha e Paris. 
A jóia do edificio é a sua fachada, realizada em pedra dourada que comporta uma homenagem aos Reis Católicos. No seu interior escondem-se tesouros como a Aula de Frei Luis de León, a majestosa escada de acesso ao primeiro piso e a valiosissima biblioteca. Frente à Universidade encontram-se dependências igualmente notáveis como as Escolas Mayores.
A silhueta das Catedrais domina o céu salamantino e o seu interior recolhe a vida e a história da cidade e dos seus cidadãos. Conjunto histórico-artistico por excelência, erguendo-se em conjunto a Catedral Velha e a Catedral Nova. A Nova, gótica, renascentista e barroca nasce e cresce a partir da outra. Do silêncio intimo da Velha nasce o desejo de diálogo com um ente superior; a grandiosidade da Nova pressupõe a pequenez do Homem e a complexidade do Mundo.
A “Clerecia” é um edificio monumental barroco erigido pelos Jesuítas no século XVIII e é actualmente a sede da Universidade Pontificia. Em conjunto com a Casa das Conchas cria um enorme conjunto arquitectonico que, para além de ser um “ex libris” da cidade, se integra admirávelmente no tecido urbano.
A Casa das Conchas é um dos palácios mais populares da cidade. Foi mandada construir nos séculos XV/XVI por Don Rodrigo Arias Maldonado, cavaleiro da ordem de Santiago e daí a sua decoração exterior.
Todos estes monumentos foram vistos em detalhe no âmbito de uma visita/conferência guiada. Utilizando um pequeno comboio turistico tivemos ainda a possibilidade de visitar superficialmente o Convento de Santo Estevão, o Palácio de Monterrey, a Ponte Romana, o Museu de Arte Moderna
Ficámos muito longe de esgotar Salamanca. Um dia é francamente insuficiente. Mas fica assim de pé a vontade de voltar.

Nota: Feito com a ajuda do Guía de Monumentos fornecido pelo Turismo de Salamanca.

O ENCONTRO AUTOCARAVANISTA EM MONDIM DE BASTO

Por curiosidade e porque adoramos o Norte do nosso país decidimos, a titulo pessoal, estar presentes neste encontro.
A nossa postura em relação ao associativismo relacionado com o autocaravanismo fez-nos afastar de qualquer posição de direcção em todos os clubes, circulos ou o que quer que seja. Continuamos, porém, a ser sócios ou aderentes de várias organizações. Desta vez, a Presidente do CAI (Clube Autocaravanista Itinerante) tinha-nos pedido para representar o Clube; pediram-nos também que representássemos o CAB (Circulo de Autocaravanistas da Blogoesfera) de que somos membros com o Blogue que estão a ler.
Tudo bem!
Quero dizer que, apesar de não nos ter sido pedido, poderíamos representar o MIDAP de que também somos aderentes.
E, já agora, porque não representarmos o CPA de que somos sócios, já que a Direcção do Clube não quis fazer-se representar, apesar de convidada?! Felizmente estavam presentes inúmeros sócios do CPA, que não foram “desviados” pelo encontro marcado para este mesmo fim de semana em Sangalhos.
Mas vejamos: o José e a Isaura Cunha, com a ajuda do casal Boaventura e de mais alguns benévolos anónimos puseram de pé um encontro em que estiveram presentes 96 autocaravanas e mais de 210 pessoas. Não foram necessários clubes ou circulos ou outras associações. Foi bastante o empenho de uns poucos (com especial relevo para o casal Cunha) e a disponibilidade de uma autarquia que nos acolheu da maneira “fidalga” com que as gentes do Norte sabem receber.
Logo na sexta-feira, primeiro dia do encontro, tivemos a presença do Presidente da Câmara Engº Humberto Sequeira, que nos veio desejar as boas vindas à sua bela Vila. Na sua simpática alocução fez-se acompanhar pelos organizadores.
Recordemos aqui que o encontro teve lugar no recinto das feiras da Vila, em que a autarquia tinha feito instalar propositadamente postos de electricidade suficientes para que todas as AC se pudessem ligar, um local para despejos e abastecimento de água, assim como disponibilidade de sanitários.
Na noite de 6ª feira fomos brindados com a actuação do Rancho Folclórico de Vilar de Viando (terra de onde são originários os Cunhas). Sublinhe-se que a convite do Rancho muitos dos autocaravanistas puderam-se exercer-se nas danças do “vira geral”. No dia seguinte ouviam-se pela manhã algumas queixas de articulações em mau estado.


No sábado a autarquia disponibilizou transportes para visitas ao Parque Natural do Alvão, ao Santuário da Sra da Graça e a uma prova de vinhos verdes no lugar de Atei à adega Quinta d’Onega
O dia terminou com um jantar de confraternização dos participantes em dois restaurantes locais. Esse jantar contou com a presença da Vereadora e número dois da Câmara D.Teresa Costa, que numa breve alocução nos assegurou que seremos sempre benvindos a Mondim de Basto e, num futuro próximo, com a instalação de uma Área de Serviço para AC
.
No fim do jantar, na companhia de um grupo de concertinas, formou-se um cortejo dos restaurantes para o local de estacionamento. Cantou-se, bailou-se, envolveu-se a população local nos festejos.
Foi uma EXCELENTE representação do melhor que existe no autocaravanismo. Julgo que deixámos uma imagem muito positiva em Mondim de Basto.
No Domingo foi efectuada uma visita guiada à Vila. Os lugares de estacionamento, para quem assim o desejasse, foram disponibilizados até à quinta feira seguinte (dia da feira semanal).
Mai uma vez: Bem Hajam José e Isaura Cunha assim como a Autarquia e a população de Mondim de Basto!

CHEGÁMOS A CHARTRES

Dieta absoluta de Internet nos últimos dias. 
O telemóvel fez um capricho e só hoje voltou a funcionar mas creio que mal. Por onde temos andado nem televisão e alguns dias nem rádio. Retiro absoluto. Acabamos de chegar ao Camping des Bords de l'Eure em Chartres e mal nos disseram que havia Internet aqui estamos a dar as nossas primeiras noticias.
Chateau Le Haget
Saímos de Mondim de Basto em direcção a Salamanca (pernoitas e visita) depois Tordesilhas (de passagem e visita). Entrámos em França por Roncesvalles (visita), dirigimo-nos depois a Montesquiou onde pernoitámos no parque do Castelo Le Haget. Daqui para Sarlat la Canéda no Perigord com pernoita e visita. Daí para Chartres onde acabamos de chegar para visitar a sua parece que bela Catedral.