sexta-feira, 15 de abril de 2011

PISA


Dia 14 de Abril; saímos pela manhã de Deiva Marina em direcção a Pisa onde fomos estacionar no parque mantido pela associação dos autocaravanistas de Pisa (3 euros/3 horas, a 5 minutos a pé dos monumentos a visitar).
A Piazza del Duomo, também conhecida por Campo dei Miracoli deve abordar-se a pé entrando pela porta de Santa Maria. De súbito, sofre-se um choque estético perante tanta beleza. O Duomo (Catedral), a Torre inclinada, o Battistero (Baptistério) e o Camposanto (Cemitério) formam um conjunto excepcional.
O Duomo, edificio sumptuoso, teria sido construído a partir de 1063 graças aos despojos das expedições contra os muçulmanos. O interior é imponente com os seus 100 metros de comprimento e a sua decoração elaborada. Sobressai o púlpito esculpido por Giovanni Pisano entre 1302 e 1311 em mármore e assentando sobre colunas em pórfiro.




A Torre inclinada é o monumento emblemático de Pisa. Destinar-se-ia a torre sineira da Catedral, é num estilo românico muito puro tendo sido construída entre 1173 e 1350. É cilindrica, em mármore, comportando seis andares de galerias com colunas. O seu lento movimento de inclinação, constatado a partir de 1178 continuou á razão de 1 a 2 milimetros por ano e é devido á natureza do terreno. Trabalhos de arquitectura efectuados recentemente conseguiram suster esse movimento.

O Battistero começou a ser construído em 1153. O interior com os seus 35 metros de diâmetro impressiona pela sua majestade e luminosidade. Possui uma decoração sóbria de que sobressaem a pia baptismal octagonal de 1246 e, principalmente, o magnifico púlpito da autoria de Nicola Pisano datando de 1260.



O Camposanto é um vasto edificio rectangular datando de 1277. No seu interior pode admirar-se um belo conjunto de arcadas, um precioso conjunto de frescos e alguns monumentos funerários notáveis.

A nossa visita terminou no Museo dell’Opera del Duomo onde se pode admirar um conjunto de obras de arte provenientes do complexo monumental da Piazza del Duomo: esculturas dos séculos XII a XVI, o tesouro da catedral entre outros.

De regresso a “casa” dirigimo-nos á nossa próxima etape: Florença.

O “CIÚPIN”

A orla marítima mediterrânica de França não nos deixou uma recordação imperdível. Nem vontade de voltar.
Ou estamos perante marinas a abarrotar de iates do tamanho de paquetes, ou de condominios e vivendas de alto luxo, ou de zonas bastante degradadas que destoam do conjunto como é o caso de alguns locais de Antibes. Uma coisa porém encontrámos constantemente (e nisso todas as autarquias devem ter investido bastante): placas de proibição de estacionamento de autocaravanas. Variam entre as que proíbem o estacionamento das 21 às 07 e as que proíbem mesmo a paragem para contemplar a paisagem. As áreas de serviço são, na generalidade, pagas e de um preço que vale mais ir para o parque de campismo. Estas regiões de França são absolutamente anti AC. Não me apanham cá mais. Que diferença com outros locais deste mesmo país noutras latitudes!
Terminada assim a nossa pequena estadia em Antibes (que nem sequer mereceu reportagem fotográfica!) metemo-nos á autoestrada em direcção a Deiva Marina. Quem conhece esta autoestrada sabe a penosidade em fazê-la; túnel após túnel, uns mais curtos, outros mais longos, com uma circulação infernal de camiões. No entanto, os troços feitos ao ar livre são, na sua maioria, de grande beleza pois a via é muito próxima do mar e atravessa belas regiões. Existe uma estrada costeira, a Via Aurelia, mas não nos arriscámos a tomá-la.
Chegámos sem novidade ao nosso destino instalando-nos no Camping La Sfinge. A intenção é a visita da Região de Cinque Terre.
Logo à chegada, más noticias: a maioria dos trilhos que permitem a visita da Região encontram-se encerrados para beneficiações.
A Região das Cinque Terre compreende as vilas costeiras de Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterrosso al Mare. Estas vilas não se visitam em automóvel; existe uma via férrea e trilhos costeiros que as ligam, daí a nossa desilusão ao saber que a maioria dos trilhos se encontram encerrdos.
Na manhã do dia 12 apanhámos o comboio para Manarola. Estas vilas são verdadeiramente surpreendentes e aqui vos deixamos alguns aspectos das mesmas. 


 Não posso deixar de referir a quantidade de turistas em visita a estes locais; aparentemente esta é ainda época baixa, mas as pessoas que visitam as vilas e percorrem os trilhos são já ás centenas. Nem quero imaginar o que será isto na época alta.
Terminada a visita a Manarola seguimos para Riomaggiore pelo trilho que tem o nome romântico de Via Dell’Amore. Certamente para desincentivar os grafitti o Parque Nacional de Cinque Terre vende uns pequenos cadeados em que os amorosos inscrevem os nomes e prendem um pouco por todo o lado ao longo do trilho.
Encontros na Via Dell'Ammore
Mais alguns aspectos que nos cativaram estão expressos nas fotografias que escolhemos para vos mostrar.

Um outro meio de visitar as Cinque Terre é apanhando o transporte maritimo que vos mostramos; o meio para embarque e desembarque é, no minimo, original.

E agora a explicação do titulo desta mensagem. Num dos guias que utilizamos para nos orientar nestas visitas estava uma recomendação para um restaurante em Riomaggiore, La Grotta.
Lá entrámos e ao estudar a ementa apareceu-nos um “CIÚPIN”. Fomos nisso e não nos arrependemos: trata-se de uma espécie de caldeirada de peixe e marisco, numa planturosa dose para dois onde ombreavam peixes diversos, mexilhões, lagostins, camarões, tudo cozinhado num excelente molho de tomate e acompanhados por pequenas fatias de um fino pão torrado. DIVINAL.
Depois desta refeição lá arranjámos coragem para completar a visita á vila. Em seguida tomámos o túnel para a estação de combóios e regressámos a Deiva Marina e á nossa “casa”.

sábado, 9 de abril de 2011

CASSIS – MARSELHA - ANTIBES


Chegámos a Cassis no dia 7 de Abril e instalámo-nos no Camping Les Cigales. 
Cassis, situada a cerca de 20 km a leste de Marselha vale, por si só, a visita. Com um centro e um porto de recreio animados, é um ponto de partida para passeios por terra ou por mar para visitar as célebres “calanques”.
Estes acidentes geográficos são como pequenos fjords duma cor esbranquiçada donde tem sido extraida com profusão a “pedra de cassis” tipo de mármore que se encontra em monumentos diversos em Marselha e um pouco por toda a região. Dentro das calanques, com uma água de uma limpidez absoluta e que toma tons de turquesa, enconta-se fundeada uma miriade de embarcações de recreio. É, efectivamente um local mágico.


Para leste de Cassis sobressai da costa o promomtório do Cap Canaille com os seus 399 metros de altitude sobre o mar.

A permanência aqui serve também de base para visitar Marselha, cidade que nos pareceu completamente inadequada para ser abordada de autocaravana. Paragem de autocarro em frente do camping e cerca de 30 minutos depois desembarque na Place de la Castellane em Marselha. Um quarto de hora de marcha e eis-nos na mitica Cannebière e no Vieux Port.


O tempo que destinámos para abordar Marselha foi absolutamente insuficiente; entretanto conseguimos visitar a Igreja de Notre Dame de la Garde a qual é absolutamente imperdível tanto pelo monumento em si como pela paisagem que dali se disfruta. De realçar a ilha de If (île d’If) celebrizada por Alexandre Dumas no seu Conde de Monte Cristo.





Outro monumento que chamou a nossa atenção foi a Abadia de São Victor: fundada no século V por Jean Cassien no local da sepultura de São Victor, mártir romano morto no século III, é um monumento austero mas de grande dignidade.


Num passeio pela “corniche” destaca-se a Porta do Oriente.

Só por si o Vieux Port de Marselha é todo um espectáculo que vale a pena presenciar.
Creio que esta cidade fica nos “cadernos” para uma visita futura mais detalhada.
Hoje dia 9 de Abril deixámos Cassis e pela estrada da costa seguimos até Antibes onde vamos passar o resto do fim de semana.
Na segunda feira será a Itália.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

CHEGÁMOS A CASSIS


Saídos de Azeitão, como previsto, a 1 de Abril, fomos pernoitar na AS de Lagartera e no dia seguinte no Camping Municipal de Saragoça. Daí, por AE, até Port Leucate para mais uma pernoita.
Em Montpellier estava prevista a primeira paragem turistica. O estacionamento escolhido foi o Joffre que, por se encontrar neste momento no meio de um enorme estaleiro de obras, não nos pareceu nada seguro. Mesmo assim fomos até á indispensável Place de la Comédie; aí optámos por embarcar num comboio turistico que nos deu um “cheirinho” da monumentalidade da cidade. 


Não nos alongámos mais e saímos em direcção a Nîmes onde nos instalámos no PC de la Bastide.
Parque de campismo municipal que tem como vantagem principal o facto de beneficiar de um transporte rápido para o centro da cidade. O autocarro para á porta do parque e deixa-nos no centro histórico por um zeuro.
Na visita á cidade destaca-se a Maison Carrée (Templo antigo) de que as colunas exteriores, capitéis e frisos são de grande beleza. No interior passam-nos um filme em três dimensões sobre a história de Nîmes desde a antiguidade até aos nossos dias.

Seguiu-se o Anfiteatro ou arenas. Construido no séc I DC é um dos maiores da Gália romana. Tem 133 por 101 metros; a fachada tem uma altura de 21 metros sendo composta por dois níveis de 60 arcadas cada. A cidade de Nîmes reivindica que o seu anfiteatro é um dos mais bem conservados do mundo romano. Permitam-me que seja céptico neste ponto: transformaram o local em praça de touros, colocando-lhe barreiras e bancadas em metal e madeira. Por questões de segurança certamente, existe por lá muito betão misturado com as velhas pedras originais. Não tira completamente a beleza e a dignidade do monumento mas é pena!



Continuámos a visita pelos Jardins de la Fontaine. Realização do séc. XVIII em que foi respeitada a traça dum santuário antigo descoberto na altura. Aí se encontra o chamado Templo de Diana, certamente associado ao santuário imperial mas de que as funções exactas restam incertas. Para finalizar fizémos a ascenção do Mont Cavalier para aceder á Tour Magne. Foi a torre mais alta e mais prestigiosa das fortificações romanas da cidade. Só nos faltou a coragem para subir os 142 degraus para disfrutar da, parece, magnifica paisagem na sua parte superior.


Continuando a digressão no encalce dos vestigios romanos deslocámo-nos para Arles. Desilusão sobre desilusão digo-vos desde já! Encetámos a visita com uma viagem no comboio turistico; quando possível preferimos fazer assim pois ficamos com uma ideia da topografia dos locais a visitar em seguida com mais detalhe.
Começámos pelo Théâtre Antique; as autoridades locais optaram por utilizar os monumentos para variados fins. Nestas ruínas faz-se teatro e para tanto colocam-se palcos modernos, bancadas e tudo o necessário para o fim que se pretende. Os locais perdem, no meu ponto de vista, toda a dignidade.


O Amphithéâtre ou Arénes de Arles ainda nos desiludiu mais que o de Nîmes. Também ele está transformado em Praça de touros, é um estaleiro de obras e as “restaurações”, bem, retiram-me toda a capacidade de sonhar com a civilização romana. Prefiro, de longe, o que se pode encontrar em Mérida: o que está lá, está. O que não está fica a cargo da nossa imaginação. Mas ao menos as pedras que lá se encontram são genuinas.



Visitámos também a igreja de Saint Trophime e o seu Cloître. Do lado dos romanos detivémo-nos ainda nas Thermes de Constantin e nos Cryptoportiques. Nestes locais brilham pela ausência as indicações que nos poderiam ajudar a compreender o que estamos a visitar.
No seu conjunto esta cidade de Arles não nos deixa uma recordação inolvidável. Salva-se o facto de termos uma situação meteorológica muito agradável e de os cais do Rhône serem bastante bonitos.
Deslocámo-nos hoje para Cassis com a intenção de visitar Marselha amanhã. Logo que possível daremos mais notícias.