sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MAIS VISITAS EM PARIS (E ARREDORES)

O Museu Guimet ou Museu Nacional das Artes Asiáticas nasceu em 1889 dum ambicioso projecto do industrial Émile Guimet, tendo sido originalmente consagrado á história das religiões. Reúne actualmente colecções excepcionais de esculturas, pinturas e outros objectos de arte que ilustram as diversas culturas e civilizações do continente asiático, cobrindo uma área tão vasta no tempo – cinco milénios – como no espaço – da India ao Japão.

Na impossibilidade de tudo vos mostrar destacamos:
Da India – Shiva Nataraja, o Rei da Dança (estatueta em bronze do século XI)
Do Nepal – Máscara de Bhairava (máscara em cobre dourado do século XVI)
Do Japão – Amida sentado (estátua em madeira do século XI)
Do Vietnam – Siva com dez braços (estátua em grés do século XI)
Além das obras expostas é de salientar a biblioteca, criada logo desde o inicio do museu em 1889, especializada nas artes antigas e na arqueologia da Ásia oriental e extremo-oriental. Para além do seu valor intrinseco é notável a sua beleza arquitectural.

Museu do Quai Branly (onde as culturas dialogam)
Museu relativamente recente, inaugurado em 2006, reune as colecções dos extintos museu do Homem e do museu nacional das Artes de África e da Oceânia. Na fachada Norte do edificio um “muro” vegetal de 800 m2 acolhe 15000 plantas; No interior, a museografia procura dar ao visitante a sensação de se deslocar no coração de uma floresta. Numa torre de vidro central estão expostos 8500 instrumentos musicais provenientes de todos os continentes não-europeus.
O Magrebe
A África profunda
A religião católica presente na Etiópia
Os norte-americanos originais
Encontrava-se ainda disponível uma exposição temporária subordinada ao tema “Rio Congo, artes da África Central”. Estavam disponíveis testemunhos escritos e materiais dos séculos XIX e XX.
É de realçar que, em meados do século dezanove, a África Central se encontrava quase inexplorada, o território e os seus habitantes eram quase desconhecidos do resto do mundo apesar de navegadores Portugueses terem desembarcado na costa do Gabão em 1472 e no Congo em 1482.
Nesta exposição dá-se relevo aos trabalhos dos exploradores Paul du Chaillu, Stanley e Pierre Savorgnan de Brazza, entre outros.

VERSALHES! Que dizer de Versalhes? Os adjectivos são curtos. Porém…..
Protesto contra a multidão de visitantes: impossível de apreciar a beleza daquelas salas, daquelas pinturas, daqueles móveis, enfim de todo aquele conjunto imersos numa multidão de visitantes que desliza como um oceano revolto no meio de toda aquela beleza.
Protesto contra a decisão da direcção do museu/palácio de instalar nas salas visitadas obras em plástico de um artista japonês que, na nossa opinião, completamente fora de contexto, retiram dignidade aos locais em que se encontram.
Exemplos:
Protesto, enfim, contra o azar da meteorologia que, por meio de chuva violenta, nos impediu de tirar partido da beleza dos jardins e de visitar completamente os anexos do palácio. Ficará para uma outra vez!
É dificil de escolher mas aqui deixamos algumas notas fotográficas de Versalhes:
E dos jardins:
Conclusão: há que voltar a Versalhes. É obrigatório!

A Basilica Catedral de Saint-Denis é uma obra-prima monumental da arte gótica. Foi concebida por Suger no século XII e terminada na época de Saint-Louis no século XIII.
No entanto, as suas origens são contemporâneas do aparecimento do cristianismo na Gália, tendo o edificio original sido concebido para abrigar os restos mortais de Saint Denis, martirisado em meados do século III. Tornou-se, em seguida e até á Revolução, um dos principais e mais ricos centros monárquicos do reino.
Patrono do reino de França e, por identificação, de toda a nação, Saint-Denis foi escolhido para velar, na abadia que lhe foi consagrada, pelo repouso eterno dos soberanos.
Foi alvo de inúmeras melhorias e padeceu das vicissitudes provocadas pela história (Revolução Francesa) como simbolo que foi da monarquia. A catedral actual serve de estojo á mais inestimável colecção de monumentos funerários e pode, sem dúvida, prevalecer-se de ser o local de memória mais intimamente ligado á história dos reis de França.
François I e Claude de France
Clovis II e Charles Martel
Henri IV
Louis XII e Anne de Bretagne
Henri II e Catherinne de Médicis
Notáveis igualmente os belissimos vitrais datando, do século XIX pois os originais foram destruídos pela barbárie revolucionária para deles aproveitar o chumbo.

A vila em que se encontrava o nosso Parque de Campismo base para visitar Paris ,Maisons-Laffitte, é conhecida pelo seu hipódromo e pelas corridas de cavalos que aí se desenrolam. Aí se encontra também um palácio que mereceu a nossa visita.
O Château de Maisons é um modelo de classicismo francês.
Inaugurado em 1651 com uma festa sumptuosa oferecida a Ana de Áustria e a seu filho Luís XIV, com 12 anos de idade na altura. Sofre diversas sortes e modificações por sucessivos proprietários, corre o risco de ser demolido para ser urbanizado para construção e é finalmente adquirido, em 1905, pelo Estado Francês. Aberto ao público como Museu desde 1912.
Alguns aspectos interiores:

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CENTRE POMPIDOU


O problema em Paris é a escolha!

A oferta é tão vasta que se colocam problemas quanto às prioridades a estabelecer para visitar o máximo dentro do espaço temporal estabelecido.
O Centro Pompidou é uma das escolhas óbvias e repetitivas pois as colecções vão mudando no Museu Nacional de Arte Moderna, principalmente na vertente das colecções contemporâneas.
No 4º andar existe há algum tempo uma focagem especifica sobre as artistas femininas. Actualmente numerosas, realizando obras complexas, transdisciplinares, radicais, as mulheres artistas rubricam uma história da arte universal, que aborda frontalmente as grandes questões contemporâneas.
Por vezes de dificil apreensão para o público menos preparado!
Uma outra exposição temporária é a dedicada ao escultor Étienne-Martin. É mostrado o conjunto das obras do artista pertencentes ao Museu.
A prática escultórica de Étienne-Martin desenvolveu-se á volta de elementos autobiográficos. À recomposição mental da sua casa natal juntam-se os mitos universais da humanidade – a árvore cósmica, a deusa Terra-Mãe, a Noite…
Mais uma vez é posta á prova acapacidade de interpretação do público.
No entanto, o Centro Pompidou é um Mundo de que mais uma vez só entreabrimos uma pequena fresta.
Contudo, descobrimos uma obra em que a artista pede que se utilize a obra para descansar um pouco. Saiu uma obra prima.

domingo, 12 de setembro de 2010

PARIS


De Chartres a Paris é um “saltinho” de 91 km. Viémo-nos instalar no Parque de Campismo de Maisons-Laffitte aonde chegámos a 6 de Setembro e que devemos deixar amanhã 13 de Setembro. O PC fica a 15 minutos a pé da gare do RER. Daí, em 20 minutos, estamos em La Défense e ao alcance do Metro que nos leva a todo o lado. Investimos 34 €/pax num passe de transportes que nos dava acesso completo a todas as linhas e que foi amplamente utilizado. Investimos também 64 €/pax em passes para museus que foram também amplamente rentabilizados.

Desta feita elegemos como marcos  de visita:
  • Centre Pompidou-colecções temporárias;
  • Musée Guimet ou des arts asiatiques
  • Musée du Quai Branly
  • Versalhes
  • Basilica de Saint-Denis
  • Château de Maisons-Laffitte
De cada uma destas visitas tentaremos dar uma pequena descrição em posts futuros.
Amanhã rumaremos ao Mar do Norte devendo pernoitar no porto de pesca de Honfleur.

CHARTRES


A capital da provincia da Beauce, “celeiro da França”, possui um tesouro: a sua Catedral, célebre pelas peregrinações que suscita assim como pelos seus vitrais.

A uma hora ao Sudoeste de Paris, servindo de porta de entrada para os Palácios do Loire, Chartres não se resuma à Catedral, sendo também notáveis as suas igrejas como Saint Aignan e Saint Pierre e os seus bairros históricos com as suas ruas e ruelas pitorescas nas margens do Eure.
A Igreja de Saint-Aignan
De todas as paróquias de Chartres, a de Saint-Aignan é a mais antiga, remontando as suas origens ao ano 400. Como muitos destes edificios, a igreja actual é constituída por elementos pertencentes a diferentes épocas. No seguimento de um incêndio que destruiui o bairro no inicio do século XVI, foi necessário reconstruí-la quase inteiramente.
A Revolução fez de Saint-Aignan um hospital militar, tornou-se prisão e posteriormente celeiro. Foi devolvida ao culto em 1822.
A Igreja possui ainda uma interessante colecção de vitrais do inicio do século XVI.
A Igreja de Saint-Pierre
Tratava-se, antes da Revolução, do santuário da abadia de Saint-Père(Père=Pierre), conhecida pelo menos desde o século VII. Dessa época subsistem importantes vestigios.
Existe uma torre, com caracteristicas carolingeas, construída sem dúvida pouco antes do ano mil. A história da construção da igreja é complexa, existindo vestigios dos séculos XI, XIII, XIV e por aí além com especial ênfase para os dramas ocorridos pela altura da Revolução.
Os vitrais superiores são muito antigos; os que guarnecem as janelas dos dois lados do coro datam de 1260.
Os da nave são mais tardios e datarão de 1300 e 1315.
A Catedral
De todas as grandes Catedrais, verdadeiras Bíblias de pedra, a arquitectura, os vitrais e o santuário de Nossa Senhora de Chartres são uma verdadeira obra de arte.
Julga-se que a primeira catedral galo romana seja do século IV, embora não existam vestigios arqueológicos. No côro restam vestigios de uma catedral merovingia do século VI. Em 1020, depois de várias vicissitudes, o bispo Fulbert inaugurou o inicio das obras da catedral românica, uma das mais prestigiosas da Europa. No dia 10 de Junho de 1194 a catedral românica ardeu. Uma nova catedral nascerá das suas cinzas, levando 30 anos a sua construção. De estilo gótico, a catedral possui hoje em dia 176 vitrais (séculos XII e XIII) e nove portas esculpidas que datam da Idade Média. Esta Catedral foi consagrada em 1260.
O côro e o Transepto são mais imponentes que a nave.
Os vitrais dos séculos XII e XIII constituem a mais importante colecão de França. Um dos mais belos e mais antigos é Notre-Dame-de-la-Belle-Verrière.
O fecho do côro é notável pela sua estatuária Renascença.

Do ponto de vista autocaravanista não me parece que Chartres ofereça grandes possibilidades de estacionamento fora de Camping. Por outro lado, o Camping municipal, a 11 €/dia (com cartão ACSI) fica estratégicamente situado, é muito agradável, com Internet gratuita. Passeio a pé até ao centro de três quilómetros. De referir que a estação de serviço para AC fica no exterior do camping sendo a sua utilização gratuita, independentemente da estadia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SARLAT-LA-CANÉDA


Depois da nossa entrada em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles começámos a subida para o Norte que nos levará a Maisons Laffitte nos arredores de Paris.

Tinhamos como etapa prevista uma paragem em St-Jean-Pied-de-Port; local efectivamente bonito mas intensamente turistico onde não nos foi possível parar sequer, quanto mais estacionar. Existe é certo uma área de serviço para AC mas estava completa e todos os outros parkings estavam barrados a 2 metros. Paragem técnica num supermercado local para compra de alguns frescos e continuação de viagem. Instruido o TomTo par evitar autoestradas e escolher o caminho mais curto fomos levados por pequenas departamentais até Montesquiou onde “aportámos” de acordo com um post anterior.
Saídos daí a 3 de Setembro, tomámos a N 21 que atravessando o belo Périgord nos levou a Sarlat-la-Canéda.
Cidade de excepção muito recomendada por todos os guias turisticos.. A sua fundação é atribuída a Pépin Le Bref, pai de Carlos Magno, que aqui teria mandado construir um mosteiro que se veio a tornar numa das mais importantes abadias beneditinas da região. Na Idade Média, foram surgindo em redor da Catedral inúmeros estabelecimentos e oficinas de comerciantes e artesãos que contribuem ainda hoje para o encanto das suas ruelas.

As velhas ruas medievais de Sarlat são extremamente fotogénicas tendo servido como pano de fundo para vários filmes.
A Catedral Saint-Sacerdos está implantada sobre vestigios de uma construção do tempo de Carlos Magno; a sua parte mais antiga é uma torre sineira romãnica do século XII. Vestigios da antiga Catedral de Saint-Sauveur do século XIV ainda se encontram presentes, excelentemente completados pela grande nave de Saint Sacerdos do século XVII.

O mercado coberto, implantado numa igreja desafectada, a Praça do Mercado dos Gansos são outros dos locais emblemáticos da cidade.
Do ponto de vista autocaravanista esta pode ser considerada uma cidade “amiga”. Não longe do centro histórico existe uma AS com todos os serviços necessários (2 €). Caso se encontre completa, o que nos aconteceu, existe logo a seguir um grande parque de estacionamento, gratuito mas sem serviços.

domingo, 5 de setembro de 2010

RONCESVALLES

Carles li reis, nostre emper[er]e magnes
Set anz tuz pleins ad estet en Espaigne:
Tresqu'en la mer cunquist la tere altaigne.
N'i ad castel ki devant lui remaigne



Transcrevemos acima a primeira estrofe da célebre "Chanson de Roland"


Escolhemos entrar em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles. Estradas “laboriosas” mas muito belas.
Paragem “obrigatória” na vila de Roncesvalles ponto de inicio do “caminho espanhol” para Santiago de Compostela. Aqui se dá apoio aos peregrinos que chegam do “caminho francês” e aos que aqui vêm iniciar a peregrinação de 790 km em direcção a Santiago.
Notáveis a velha Igreja de São Tiago, e a Capela do Espirito Santo ou Silo de Carlos Magno. Este é o edificio mais antigo de Roncesvalles tendo sido mandado construir por D. Sancho de la Rosa, Bispo de Pamplona, na primeira metade do século XII. Tem uma cripta onde eram sepultados os peregrinos que faleciam no hospital.

A lenda diz que se situa no mesmo lugar em que Carlos Magno mandou construir o tumulo de Roldan e recolher os restos dos soldados mortos na batalha (de Roncesvalles).