terça-feira, 14 de setembro de 2010

CENTRE POMPIDOU


O problema em Paris é a escolha!

A oferta é tão vasta que se colocam problemas quanto às prioridades a estabelecer para visitar o máximo dentro do espaço temporal estabelecido.
O Centro Pompidou é uma das escolhas óbvias e repetitivas pois as colecções vão mudando no Museu Nacional de Arte Moderna, principalmente na vertente das colecções contemporâneas.
No 4º andar existe há algum tempo uma focagem especifica sobre as artistas femininas. Actualmente numerosas, realizando obras complexas, transdisciplinares, radicais, as mulheres artistas rubricam uma história da arte universal, que aborda frontalmente as grandes questões contemporâneas.
Por vezes de dificil apreensão para o público menos preparado!
Uma outra exposição temporária é a dedicada ao escultor Étienne-Martin. É mostrado o conjunto das obras do artista pertencentes ao Museu.
A prática escultórica de Étienne-Martin desenvolveu-se á volta de elementos autobiográficos. À recomposição mental da sua casa natal juntam-se os mitos universais da humanidade – a árvore cósmica, a deusa Terra-Mãe, a Noite…
Mais uma vez é posta á prova acapacidade de interpretação do público.
No entanto, o Centro Pompidou é um Mundo de que mais uma vez só entreabrimos uma pequena fresta.
Contudo, descobrimos uma obra em que a artista pede que se utilize a obra para descansar um pouco. Saiu uma obra prima.

domingo, 12 de setembro de 2010

PARIS


De Chartres a Paris é um “saltinho” de 91 km. Viémo-nos instalar no Parque de Campismo de Maisons-Laffitte aonde chegámos a 6 de Setembro e que devemos deixar amanhã 13 de Setembro. O PC fica a 15 minutos a pé da gare do RER. Daí, em 20 minutos, estamos em La Défense e ao alcance do Metro que nos leva a todo o lado. Investimos 34 €/pax num passe de transportes que nos dava acesso completo a todas as linhas e que foi amplamente utilizado. Investimos também 64 €/pax em passes para museus que foram também amplamente rentabilizados.

Desta feita elegemos como marcos  de visita:
  • Centre Pompidou-colecções temporárias;
  • Musée Guimet ou des arts asiatiques
  • Musée du Quai Branly
  • Versalhes
  • Basilica de Saint-Denis
  • Château de Maisons-Laffitte
De cada uma destas visitas tentaremos dar uma pequena descrição em posts futuros.
Amanhã rumaremos ao Mar do Norte devendo pernoitar no porto de pesca de Honfleur.

CHARTRES


A capital da provincia da Beauce, “celeiro da França”, possui um tesouro: a sua Catedral, célebre pelas peregrinações que suscita assim como pelos seus vitrais.

A uma hora ao Sudoeste de Paris, servindo de porta de entrada para os Palácios do Loire, Chartres não se resuma à Catedral, sendo também notáveis as suas igrejas como Saint Aignan e Saint Pierre e os seus bairros históricos com as suas ruas e ruelas pitorescas nas margens do Eure.
A Igreja de Saint-Aignan
De todas as paróquias de Chartres, a de Saint-Aignan é a mais antiga, remontando as suas origens ao ano 400. Como muitos destes edificios, a igreja actual é constituída por elementos pertencentes a diferentes épocas. No seguimento de um incêndio que destruiui o bairro no inicio do século XVI, foi necessário reconstruí-la quase inteiramente.
A Revolução fez de Saint-Aignan um hospital militar, tornou-se prisão e posteriormente celeiro. Foi devolvida ao culto em 1822.
A Igreja possui ainda uma interessante colecção de vitrais do inicio do século XVI.
A Igreja de Saint-Pierre
Tratava-se, antes da Revolução, do santuário da abadia de Saint-Père(Père=Pierre), conhecida pelo menos desde o século VII. Dessa época subsistem importantes vestigios.
Existe uma torre, com caracteristicas carolingeas, construída sem dúvida pouco antes do ano mil. A história da construção da igreja é complexa, existindo vestigios dos séculos XI, XIII, XIV e por aí além com especial ênfase para os dramas ocorridos pela altura da Revolução.
Os vitrais superiores são muito antigos; os que guarnecem as janelas dos dois lados do coro datam de 1260.
Os da nave são mais tardios e datarão de 1300 e 1315.
A Catedral
De todas as grandes Catedrais, verdadeiras Bíblias de pedra, a arquitectura, os vitrais e o santuário de Nossa Senhora de Chartres são uma verdadeira obra de arte.
Julga-se que a primeira catedral galo romana seja do século IV, embora não existam vestigios arqueológicos. No côro restam vestigios de uma catedral merovingia do século VI. Em 1020, depois de várias vicissitudes, o bispo Fulbert inaugurou o inicio das obras da catedral românica, uma das mais prestigiosas da Europa. No dia 10 de Junho de 1194 a catedral românica ardeu. Uma nova catedral nascerá das suas cinzas, levando 30 anos a sua construção. De estilo gótico, a catedral possui hoje em dia 176 vitrais (séculos XII e XIII) e nove portas esculpidas que datam da Idade Média. Esta Catedral foi consagrada em 1260.
O côro e o Transepto são mais imponentes que a nave.
Os vitrais dos séculos XII e XIII constituem a mais importante colecão de França. Um dos mais belos e mais antigos é Notre-Dame-de-la-Belle-Verrière.
O fecho do côro é notável pela sua estatuária Renascença.

Do ponto de vista autocaravanista não me parece que Chartres ofereça grandes possibilidades de estacionamento fora de Camping. Por outro lado, o Camping municipal, a 11 €/dia (com cartão ACSI) fica estratégicamente situado, é muito agradável, com Internet gratuita. Passeio a pé até ao centro de três quilómetros. De referir que a estação de serviço para AC fica no exterior do camping sendo a sua utilização gratuita, independentemente da estadia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SARLAT-LA-CANÉDA


Depois da nossa entrada em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles começámos a subida para o Norte que nos levará a Maisons Laffitte nos arredores de Paris.

Tinhamos como etapa prevista uma paragem em St-Jean-Pied-de-Port; local efectivamente bonito mas intensamente turistico onde não nos foi possível parar sequer, quanto mais estacionar. Existe é certo uma área de serviço para AC mas estava completa e todos os outros parkings estavam barrados a 2 metros. Paragem técnica num supermercado local para compra de alguns frescos e continuação de viagem. Instruido o TomTo par evitar autoestradas e escolher o caminho mais curto fomos levados por pequenas departamentais até Montesquiou onde “aportámos” de acordo com um post anterior.
Saídos daí a 3 de Setembro, tomámos a N 21 que atravessando o belo Périgord nos levou a Sarlat-la-Canéda.
Cidade de excepção muito recomendada por todos os guias turisticos.. A sua fundação é atribuída a Pépin Le Bref, pai de Carlos Magno, que aqui teria mandado construir um mosteiro que se veio a tornar numa das mais importantes abadias beneditinas da região. Na Idade Média, foram surgindo em redor da Catedral inúmeros estabelecimentos e oficinas de comerciantes e artesãos que contribuem ainda hoje para o encanto das suas ruelas.

As velhas ruas medievais de Sarlat são extremamente fotogénicas tendo servido como pano de fundo para vários filmes.
A Catedral Saint-Sacerdos está implantada sobre vestigios de uma construção do tempo de Carlos Magno; a sua parte mais antiga é uma torre sineira romãnica do século XII. Vestigios da antiga Catedral de Saint-Sauveur do século XIV ainda se encontram presentes, excelentemente completados pela grande nave de Saint Sacerdos do século XVII.

O mercado coberto, implantado numa igreja desafectada, a Praça do Mercado dos Gansos são outros dos locais emblemáticos da cidade.
Do ponto de vista autocaravanista esta pode ser considerada uma cidade “amiga”. Não longe do centro histórico existe uma AS com todos os serviços necessários (2 €). Caso se encontre completa, o que nos aconteceu, existe logo a seguir um grande parque de estacionamento, gratuito mas sem serviços.

domingo, 5 de setembro de 2010

RONCESVALLES

Carles li reis, nostre emper[er]e magnes
Set anz tuz pleins ad estet en Espaigne:
Tresqu'en la mer cunquist la tere altaigne.
N'i ad castel ki devant lui remaigne



Transcrevemos acima a primeira estrofe da célebre "Chanson de Roland"


Escolhemos entrar em França pelo desfiladeiro de Roncesvalles. Estradas “laboriosas” mas muito belas.
Paragem “obrigatória” na vila de Roncesvalles ponto de inicio do “caminho espanhol” para Santiago de Compostela. Aqui se dá apoio aos peregrinos que chegam do “caminho francês” e aos que aqui vêm iniciar a peregrinação de 790 km em direcção a Santiago.
Notáveis a velha Igreja de São Tiago, e a Capela do Espirito Santo ou Silo de Carlos Magno. Este é o edificio mais antigo de Roncesvalles tendo sido mandado construir por D. Sancho de la Rosa, Bispo de Pamplona, na primeira metade do século XII. Tem uma cripta onde eram sepultados os peregrinos que faleciam no hospital.

A lenda diz que se situa no mesmo lugar em que Carlos Magno mandou construir o tumulo de Roldan e recolher os restos dos soldados mortos na batalha (de Roncesvalles).


TORDESILHAS E O TRATADO

Na continuação da nossa viagem marcámos uma paragem para visitar Tordesilhas. Aqui, no dia sete de Junho do ano de 1494, foi assinado um acordo entre os reinos de Castela e Portugal que definia os limites que corresponderiam a cada Coroa das terras já descobertas ou ainda por descobrir. 

O acordo, que seria conhecido como Tratado de Tordesilhas, dividia o Oceano Atlântico por meio de um “risco” traçado de polo a polo, a 370 léguas a Oeste das ilhas de Cabo Verde, ficando o hemisfério ocidental para Castela e o oriental para Portugal.
No século XVI esta localidade contou com a presença, durante 46 anos, de Joana I de Castela que ficou conhecida para a história como Joana a Louca.
Tivémos oportunidade de visitar o Museu do Tratado que fica situado nas Casas do Tratado onde se mostram objectos relacionados com o processo das negociações.
Visitámos ainda o Real Mosteiro de Santa Clara (fotos não autorizadas) que é considerado um dos melhores exemplares mudéjares de Castela e Leão.
Na passagem detivémo-nos ainda na Plaza Mayor. De dimensões reduzidas, a sua estrutura responde às mais puras essências das praças maiores castelhanas.
Aqui almoçámos, tendo para o efeito estacionado a AC num jardim público, perto do centro histórico, onde nos parece que não haveria qualquer problema para pernoitar.

AINDA MONDIM. UMA CONTROVÉRSIA

Decidimos publicar na íntegra uma mensagem que recebemos da companheira Teresa Paiva. Fazê-mo-lo porque presamos muito esta companheira e porque as informações que recebemos em Mondim não coincidem com as que agora nos adianta. Fazê-mo-lo ainda para pedir desculpa por qualquer inexactidão que tenhamos cometido.
Eis a mensagem recebida:
Citação
Boa noite companheiro Victor
Dentro da boa colaboração que temos tido, tomo a liberdade de comentar a a afirmação que fez no seu blog: 
"E, já agora, porque não representarmos o CPA de que somos sócios, já que a Direcção do Clube não quis fazer-se representar, apesar de convidada?! Felizmente estavam presentes inúmeros sócios do CPA, que não foram “desviados” pelo encontro marcado para este mesmo fim de semana em Sangalhos."
 A Direcção do Clube não foi convidada. A Direcção do Clube teve nesse fim de semana uma reunião de trabalho entre corpos gerentes, marcada para Sangalhos para que ´que a despesa(pessoal) de deslocação não recaísse apenas nos elementos do Norte e não marcou qualquer tipo de encontro. E disso foi dado conhecimento no fórum.
Aceito com facilidade todo o tipo de criticas, não aceito de forma alguma inverdades.
Entenda este reparo apenas como sócia do CPA que não gosto de ver  atacado seja qual fôr a Direcção.
Terminando para dizer que no final é sempre a imagem do CPA que está em causa. Porque os homens passam mas as instituições ficam.
Fim de citação

sábado, 4 de setembro de 2010

SALAMANCA, AQUI TÃO PERTO


Fica realmente bem “à mão” esta bela cidade espanhola. Nestes últimos dias de Agosto foram frequentes os “encontros” com falantes lusos que por ali deambulavam.

Não explorámos as possibilidades de estacionar na cidade com a AC. Alojámo-nos no Camping D. Quijote que fica a 4 km do centro; existe um caminho pedonal ou para bicicletas ao longo do Rio Tormes que leva á cidade. Por nosso lado utilizámos um autocarro que, em cerca de 20 minutos, nos deixa em plena Gran Vía.
A partir daí, manda a lógica que se inicie a visita pela Plaza Mayor. É uma das maiores e mais belas de Espanha. Unamo chamou-lhe “corazón henchido de sol y aire”. Centro nevrálgico da cidade, coração a que afluem todas as artérias, nela lateja a vida salamantina.
A seguir, é um desfilar de monumentos que rivalizam entre si em beleza e em significado histórico e cultural:
A Universidade, um dos edificios mais importantes de Salamanca e uma das jóias da arte renascentista espanhola. Inaugurada em 1218 por Afonso IX de Leão e consolidada mais tarde por Afonso X o Sábio para competir com as universidades de Oxford, Bolonha e Paris. 
A jóia do edificio é a sua fachada, realizada em pedra dourada que comporta uma homenagem aos Reis Católicos. No seu interior escondem-se tesouros como a Aula de Frei Luis de León, a majestosa escada de acesso ao primeiro piso e a valiosissima biblioteca. Frente à Universidade encontram-se dependências igualmente notáveis como as Escolas Mayores.
A silhueta das Catedrais domina o céu salamantino e o seu interior recolhe a vida e a história da cidade e dos seus cidadãos. Conjunto histórico-artistico por excelência, erguendo-se em conjunto a Catedral Velha e a Catedral Nova. A Nova, gótica, renascentista e barroca nasce e cresce a partir da outra. Do silêncio intimo da Velha nasce o desejo de diálogo com um ente superior; a grandiosidade da Nova pressupõe a pequenez do Homem e a complexidade do Mundo.
A “Clerecia” é um edificio monumental barroco erigido pelos Jesuítas no século XVIII e é actualmente a sede da Universidade Pontificia. Em conjunto com a Casa das Conchas cria um enorme conjunto arquitectonico que, para além de ser um “ex libris” da cidade, se integra admirávelmente no tecido urbano.
A Casa das Conchas é um dos palácios mais populares da cidade. Foi mandada construir nos séculos XV/XVI por Don Rodrigo Arias Maldonado, cavaleiro da ordem de Santiago e daí a sua decoração exterior.
Todos estes monumentos foram vistos em detalhe no âmbito de uma visita/conferência guiada. Utilizando um pequeno comboio turistico tivemos ainda a possibilidade de visitar superficialmente o Convento de Santo Estevão, o Palácio de Monterrey, a Ponte Romana, o Museu de Arte Moderna
Ficámos muito longe de esgotar Salamanca. Um dia é francamente insuficiente. Mas fica assim de pé a vontade de voltar.

Nota: Feito com a ajuda do Guía de Monumentos fornecido pelo Turismo de Salamanca.